quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Capítulo 2. Iniciação Científica em Cirurgia Plástica na Graduação Médica

Iniciação Científica em Cirurgia Plástica na Graduação Médica 

Alexandre Mendonça Munhoz
Professor Livre Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Coordenador do Grupo de Reconstrução Mamária do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo; Docente Pleno do Programa de Pós-Graduação de Mestrado e Doutorado do Hospital Sírio-Libanês.

Rolf Gemperli
Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Regente da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da FMUSP. 


RESUMO: 

    A iniciação científica é uma modalidade de pesquisa científica desenvolvida especificamente para alunos de cursos de graduação em diversas áreas do conhecimento em ge- ral. Habitualmente, os alunos de graduação que iniciam e desenvolvem a iniciação científica não apresentam expe- riência prévia em modelos de pesquisa, desenvolvimento de hipóteses e métodos científicos de validação da pesquisa, nem apresentação e publicação dos resultados. Desta forma, é justificável o termo conferido de “iniciação” por representar o primeiro contato do aluno com modelos de pesquisa na prática.


FMUSP, Prof. Rolf Gemperli, Alexandre Mendonça Munhoz e Ary de Azevedo Marques 

      A história da iniciação científica no Brasil é relativamente recente e data do final da década de 1980, quando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec- nológico (CNPq), órgão federal criado em 1951, introduziu um programa de bolsas para alunos de graduação. Denominado na época de PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), este programa apresentou desde o início uma mudança no perfil de apoio financeiro para o desenvolvimento de pesquisas, visto que até então apenas pesquisadores estabelecidos e com linhas de pesquisa consagradas tinham acesso às bolsas de estudo. Atualmente, inspiradas no modelo proposto pelo CNPq, outras agências e instituições vinculadas ao estímulo à pesquisa (FAPESP, FAPERJ etc.) criaram novos sistemas de estímulo à pesquisa em seus respectivos Estados.



     Desta forma, a iniciação científica nos moldes como se apresenta atualmente constitui um projeto de estímulo e apoio recente ao jovem pesquisador e aluno da graduação. De fato, dados mais atuais e provenientes do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) demonstram que a iniciação científica está implantada em aproximadamente 78% das instituições públicas de ensino superior e 70% das particulares. Todavia, segundo alguns autores e sobretudo quando a opinião dos alunos é analisada, a alta prevalência de projetos em nosso meio não está direta- mente relacionada com a qualidade e satisfação por parte dos bolsistas. Problemas relacionados à distribuição de re- cursos financeiros e ausência de institucionalização dessa atividade são relatados como fatores limitantes.

Convite de lançamento do livro Fundamentos da Cirurgia Plástica, Editora Thieme, Editores ; Prof. Rolf Gemperli, Alexandre Mendonça Munhoz e Ary de Azevedo Marques no lançamento do Livro na Livraria Cia dos Livros - Universidade Mackenzie
     
      Em nosso meio há diversos modelos de iniciação, bem como flexibilidade no processo de iniciação. De maneira geral, o aluno de graduação vincula-se de maneira espontânea ou por meio de convite a um professor ou grupo que já apresenta uma linha de pesquisa definida. No estabele- cimento do tema ou assunto da iniciação, todo o processo da pesquisa é acompanhado por um professor orientador e coorientadores vinculados a um grupo, serviço ou laboratório de pesquisa da faculdade na qual o aluno estuda ou a algum centro de pesquisa financiador. 


FMUSP, Prof. Rolf Gemperli, Alexandre Mendonça Munhoz e Ary de Azevedo Marques 
    
      Todo o processo de início, meio e fim com as conclusões da pesquisa e divulgação destas nos meios científicos pertinentes é realizado pelo aluno e monitorado pelo orientador. Ademais, nesta fase da graduação, o estudante-pesquisador inserido no programa de iniciação científica exerce as primeiras etapas da pesquisa acadêmica, como a redação do projeto, a apresentação de resultados em eventos (habitualmente, em congressos universitários e/ou simpósios organizados por ligas acadêmicas), a sistematização de ideias, a sistematização de referenciais teóricos, a elaboração de relatórios e demais atividades que habitualmente estão relacionadas ao cotidiano do pesquisador.




     Em algumas situações há a possibilidade de financiamento do processo de iniciação científica por meio de bolsas oferecidas por agências públicas governamentais. As principais agências financiadoras de projetos de iniciação científica no Brasil (por meio da concessão de bolsas anuais de incentivo à pesquisa) são o CNPq, em nível federal, por meio do PIBIC, e as agências públicas estaduais de fomento à pesquisa, como a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Fundação de Amparo a Pesqui- sa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). 


Lançamento do livro e autógrafos do Fundamentos da Cirurgia Plástica, Editora Thieme, os Editores ; Prof. Rolf Gemperli, Alexandre Mendonça Munhoz e Ary de Azevedo Marques no lançamento do Livro na Livraria Cia dos Livros - Universidade Mackenzie
    Até 2010, somente o CNPq registrava mais de 25.500 bolsas de Iniciação Científica em todo o país, tendo a região sudeste a maior quantidade de projetos em andamento, com 45,4% do total de benefícios distribuídos. Habitualmente, estas agências concedem bolsas anuais com valores próximos a um salário mínimo mensal. Durante a pesquisa, há a neces- sidade de apresentação dos resultados preliminares, bem como ao término da bolsa a demonstração dos resultados finais. 







Nenhum comentário:

Postar um comentário