quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Capítulo 1. A Graduação Médica, a Cirurgia Plástica e as Ligas Acadêmicas


No módulo I, Graduação Médica são abordados aspectos da cirurgia plástica no ensino médico da graduação com enfoque para a grade curricular, o papel das ligas acadêmicas e aspectos relacionados `a pesquisa e iniciação científica do aluno de graduação no tocante a área de atuação da cirurgia plástica estética e reparadora.
A Graduação Médica, a Cirurgia Plástica e as Ligas Acadêmicas 

Alexandre Mendonça Munhoz
Professor Livre Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Coordenador do Grupo de Reconstrução Mamária do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo; Docente Pleno do Programa de Pós-Graduação de Mestrado e Doutorado do Hospital Sírio-Libanês.

Pedro Soler Coltro
Medico Assistente I de Cirurgia Plástica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo; Ex-Preceptor da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Arthur Hirschfeld Danila
Médico Psiquiatra, Ex-aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Presidente da Associação dos Médicos Residentes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Rolf Gemperli
Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Regente da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da FMUSP. 


RESUMO: 

    A graduação em Medicina representa o mais importante período de formação das bases do futuro médico. Para isto é fundamental o estabelecimento de conceitos sólidos e alicerçados nas áreas básicas e especializadas com objetivo de real e amplo conhecimento da área médica e suas inter-relações por parte do aluno de graduação.
   Em nosso meio, a graduação é parte crucial do sistema de educação superior e tem como base os modelos criados na França, representando o primeiro título universitário recebido por um indivíduo em um sistema de ensino e formação profissional. Nos países de colonização portuguesa, a graduação se refere à formação superior que garante ao aluno, no término do curso, a possibilidade de exercer a profissão em que se graduou, ou de prosseguir nos estudos em níveis complementares, mais avançados, de formação e/ou subespecialização. Assim, podemos mencionar a pós-graduação neste modelo, envolvendo a especialização nos moldes lato sensu (sentido amplo) ou stricto sensu (sentido estrito), com os programas de Mestrado e Doutorado. De maneira distinta, nos países de origem inglesa, há o modelo que envolve os undergraduate studies semelhante ao modelo brasileiro. Todavia, há também, naqueles países, os chamados graduate studies (estudos de graduação), que garantem ao aluno a possibilidade de exercer determinadas profissões ou de continuar seus estudos com Mestrado ou Doutorado.

Fundamentos da Cirurgia Plástica, Editora Thieme, os Editores ; Prof. Rolf Gemperli, Alexandre Mendonça Munhoz e Ary de Azevedo Marques no lançamento do Livro na Livraria Cia dos Livros - Universidade Mackenzie
   
   Conceitualmente, o currículo da graduação é alicerçado na definição dos objetivos do ensino de graduação em Medicina, que são:
  • perceber o paciente como um ser humano biopsicos-
    social único, procurando desenvolver uma relação
    médico-paciente positiva;
  • identificar a saúde como um estado de bem-estar físico,
    psíquico e social, que depende das circunstâncias do
    ambiente;
  • atuar com destreza na promoção da saúde, na prevenção
    e no tratamento das doenças, e na reabilitação dos incapacitados.

   Desta forma, é durante a graduação que o estudante de- verá adquirir a capacidade e o hábito de obter, por iniciativa própria, a solidificação dos conhecimentos gerais e os meca- nismos que garantam o processo de educação continuada.
Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o curso de graduação foi reestruturado após a reforma curricular de 1996 e consiste atualmente em dois segmentos: o “nuclear” e o “complementar”. De modo geral na FMUSP, a carga horária total do curso é de 11 mil horas e apresenta a seguinte distribuição: o nuclear, obrigatório para todos os alunos, com 70% da carga horária total, e o complementar com 30%.



Segundo Gregório Montes, do Departamento de Patolo- gia da FMUSP, e um dos responsáveis pela implementação da pesquisa científica no currículo nuclear da graduação, a iniciativa de reformular o currículo do curso de Medicina foi uma resposta à crescente sobrecarga de informações que caracteriza o ensino da Medicina, além de favorecer a aquisição de mecanismos de autoaprendizagem que ca- pacitassem o aluno para a educação continuada depois da graduação. (continua....).




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